24 horas
e 28 dias
Um dia
Sono, temperatura corporal, metabolismo, fome e outros processos fisiológicos.
Um ciclo
Oscilações hormonais que podem ser percebidas de formas diferentes por cada mulher.
Todo corpo humano funciona em ritmos.
O mais conhecido é o ritmo circadiano, um ciclo de aproximadamente 24 horas que participa da regulação do sono, da temperatura corporal, do metabolismo, da fome e de diversos outros processos fisiológicos.
Ele é amplamente estudado e aceito. Ninguém estranha quando alguém diz que funciona melhor pela manhã ou que sente mais disposição à noite.
Muitas mulheres vivem também outro tipo de ritmo biológico: um ritmo infradiano associado ao ciclo menstrual.
O ciclo menstrual costuma durar cerca de 28 dias, embora exista uma variação natural considerável entre mulheres e entre diferentes ciclos da mesma mulher. Ao longo desse período, hormônios como estrogênio e progesterona apresentam oscilações que participam da regulação de diversos processos do organismo.
Esses hormônios não atuam apenas no sistema reprodutivo.
O ciclo também atravessa o sistema nervoso
Receptores hormonais estão presentes em diferentes regiões do cérebro, incluindo áreas envolvidas com memória, emoção e regulação do comportamento. O estrogênio interage com sistemas de neurotransmissores, incluindo serotonina e dopamina. A progesterona também dá origem a metabólitos que interagem com sistemas relacionados à regulação da atividade cerebral e da resposta ao estresse.
Isso não significa que uma mulher seja uma pessoa completamente diferente a cada semana.
Significa que seu organismo pode atravessar mudanças fisiológicas cíclicas que fazem parte de sua biologia.
Para algumas mulheres, essas mudanças aparecem de forma perceptível no sono, na energia, no apetite, na sensibilidade à dor, no humor ou na resposta ao estresse. Para outras, são discretas ou quase imperceptíveis.
As duas experiências são reais.
O problema começa quando apenas o ritmo de 24 horas é considerado relevante, enquanto outros ritmos biológicos são tratados como detalhe, incômodo ou tabu.
Talvez a pergunta não seja se o ciclo interfere da mesma maneira em todas as mulheres.
Talvez a pergunta seja quanto ainda precisamos aprender sobre as diferentes formas como cada organismo responde a ele.
No próximo artigo: o que a ciência já sabe e o que ainda não sabe.
Referências institucionais e científicas
O corpo não vive em um único relógio.
Reconhecer diferentes ritmos biológicos é ampliar a forma como compreendemos a experiência feminina.
Conheça a Cyclical LifeConteúdo educativo. Este artigo não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento de profissionais de saúde.


