A trilha científica da Neurociclicidade®

Tudo começou com uma pergunta simples: será que isso acontece só comigo?

  • Essa pergunta virou escuta.
  • A escuta virou observação.
  • A observação ganhou método.
  • E, desse percurso, nasceu um conceito.
escuta método conceito investigação

Arco zero

A semente: da pergunta à escuta

Uma escuta íntima entre mulheres da minha família

Antes de existir método, existia uma inquietação.

Eu percebia mudanças em mim ao longo do ciclo, na energia, no humor, na forma de pensar, e queria saber se outras mulheres viviam algo parecido.

Convidei mulheres da minha família e do meu círculo mais próximo para registrar como se sentiam em cada fase do ciclo.

15mulheres próximasescuta exploratória inicial, não uma amostra científica
12semanas de registros

Foi essa experiência que transformou uma percepção pessoal em uma pergunta de investigação.

Pelo caminho, aprendi uma das coisas mais importantes da minha trajetória.

Pesquisas que envolvem participantes humanos exigem cuidados éticos e metodológicos que eu ainda não conhecia naquele momento.

Por isso, hoje não trato essa experiência como evidência científica. No manuscrito, ela aparece apenas como um indício preliminar e exploratório, com suas limitações declaradas, e não como base para conclusões sobre outras mulheres. Ela permanece como um marco zero, íntimo e exploratório, de onde nasceu a pergunta que deu origem à Cyclical®.

Por respeito às mulheres que confiaram em mim, esse primeiro material não é apresentado aqui como um conjunto de dados científicos.

Arco um

Da observação ao método

Se eu ainda não podia estudar outras mulheres, estudaria a mim mesma com rigor.

Se eu queria investigar os padrões que percebia, precisava primeiro aprender a observá-los de forma sistemática.

Escolhi a autoetnografia: um método qualitativo em que a própria experiência, registrada de forma sistemática e analisada criticamente, pode se tornar fonte de conhecimento.

Por envolver apenas a pesquisadora, esse caminho permitiu aprofundar a investigação sem depender da participação de terceiros.

2+anos de registros
1pesquisadora acompanhando o próprio ciclo

Durante mais de dois anos, acompanhei meu ciclo com:

  • Aplicativo de monitoramento menstrual
  • Dados de sono de um relógio inteligente
  • Observação recorrente das mudanças físicas, emocionais, cognitivas e comportamentais
  • Registros estruturados em planilha nos meses finais
Categorias narrativas, não diagnósticas
4categorias criadas durante a análise

Para organizar os padrões que se repetiam, criei quatro categorias narrativas.

  • Cientista Selvagem
  • Bibi Perigosa
  • Lúcia
  • Marginal

Esses nomes são meus e não servem de diagnóstico.

O convite não é para que outras mulheres usem os mesmos nomes, mas para que observem os próprios padrões e encontrem uma linguagem que faça sentido para elas.

Arco dois

Do método ao conceito

Da experiência vivida nasce um nome e um framework

Da autoetnografia surgiu um manuscrito que apresenta, pela primeira vez, o conceito de Neurociclicidade®, proposto como:

A experiência integrada das transformações fisiológicas, cognitivas, emocionais, comportamentais e relacionais vividas ao longo do ciclo menstrual, tal como são percebidas, interpretadas e observadas pela própria pessoa.

Neuroendocrinologia

Estuda os mecanismos biológicos do ciclo.

Neurociclicidade®

Propõe uma pergunta complementar: como essas mudanças são sentidas, interpretadas e nomeadas no dia a dia?

Um aplicativo pode dizer em que fase você está. A Neurociclicidade® parte da experiência para investigar como essa fase é percebida pela própria pessoa.

O manuscrito

Status
Em avaliação por pares
Tipo
Proposta conceitual, autoetnografia
Objetivo
Apresentar e discutir o conceito de Neurociclicidade®.
Não pretende
Generalizar resultados ou estabelecer causalidade.
Autora
Poliana Barbosa Almeida, ORCID 0009-0004-3641-2522

O que existe e o que ainda precisa ser investigado

Experiência, hipótese e evidência científica são coisas diferentes. Esta é a distância honesta entre onde estou e onde quero chegar.

Já existe

  • Mais de dois anos de registros pessoais
  • Uma autoetnografia
  • Um framework conceitual
  • Um manuscrito apresentando o conceito
  • Hipóteses derivadas da experiência observada

Ainda precisa ser investigado

  • Se padrões semelhantes aparecem em outras mulheres
  • Como esses padrões variam entre diferentes pessoas e contextos
  • Quais mudanças percebidas correspondem a mudanças fisiológicas mensuráveis
  • Como percepção, comportamento e marcadores objetivos podem ser analisados em conjunto
  • Quais são os limites e as aplicações do conceito

De onde essa proposta parte

Referências que dialogam com o manuscrito.

Ciclo menstrual e saúde da mulher

  • Schoep, M. E. et al. (2019). Productivity loss due to menstruation-related symptoms: a nationwide cross-sectional survey among 32 748 women. BMJ Open, 9(6), e026186. doi.org/10.1136/bmjopen-2018-026186
  • Zuidema, L. et al. (2025). Informational needs related to menstrual literacy among Dutch women: a focus group study. BMC Women's Health, 25, 158. doi.org/10.1186/s12905-025-03694-3
  • Zucker, I., & Prendergast, B. J. (2020). Sex differences in pharmacokinetics predict adverse drug reactions in women. Biology of Sex Differences, 11, 32. doi.org/10.1186/s13293-020-00308-5
  • International Commission on Radiological Protection (1975). Report of the Task Group on Reference Man (ICRP Publication 23). Pergamon Press.

Autoetnografia e métodos qualitativos

  • Chang, H. (2008). Autoethnography as method. Left Coast Press.
  • Ellis, C., Adams, T. E., & Bochner, A. P. (2011). Autoethnography: an overview. Forum Qualitative Sozialforschung / Forum: Qualitative Social Research, 12(1). doi.org/10.17169/fqs-12.1.1589

Nomear emoções e escrita expressiva

  • Lieberman, M. D. et al. (2007). Putting feelings into words: affect labeling disrupts amygdala activity in response to affective stimuli. Psychological Science, 18(5), 421–428. doi.org/10.1111/j.1467-9280.2007.01916.x
  • Pennebaker, J. W. (1997). Opening up: the healing power of expressing emotions (ed. rev.). Guilford Press.

Em ampliação: referências sobre neuroendocrinologia, sono, cognição e interocepção, que farão parte da próxima fase da investigação.

Arco três

Em construção: do conceito à investigação

Levar a Neurociclicidade® para além de uma história

O próximo passo é investigar o conceito com mais mulheres, em diferentes contextos, em parceria com uma universidade e com aprovação ética adequada desde o início.

A próxima fase não parte da certeza de que o conceito está correto. Parte de uma pergunta:

O que acontece quando essa experiência é investigada de forma sistemática em outras pessoas?

Cada arco desta trilha me ensinou algo sobre fazer ciência com honestidade. Esse é o compromisso que levo para o próximo.

O que eu quero descobrir agora

  • Essas experiências aparecem em outras mulheres?

  • Quais padrões podem ser observados de forma consistente?

  • Quais correspondem a mudanças fisiológicas mensuráveis?

  • O que muda quando percepção e dados objetivos são analisados juntos?

É aqui que a próxima fase começa.

Uma pergunta científica começa com curiosidade.

Pesquisadoras, universidades e instituições interessadas em investigar a Neurociclicidade® podem entrar em contato diretamente comigo.

2026 Cyclical®. Todos os direitos reservados.