Menstruação e produtividade no trabalho

Menstruação e produtividade no trabalho | Cyclical
Por que o ritmo do mundo não combina com o corpo feminino · Artigo 5

Um mundo de trabalho linear
para corpos cíclicos

Quando a estrutura espera constância, mas a experiência humana contém variações.
Trabalho Produtividade Presenteísmo Flexibilidade
Estrutura linear

O trabalho espera repetição

Mesmas horas, mesma disponibilidade e a mesma expectativa de produtividade.

Experiência cíclica

O corpo atravessa variações

Sono, dor, energia e outras experiências podem mudar de maneira individual.

O modelo de trabalho que conhecemos pressupõe uma certa regularidade.

Mesma jornada. Mesmas horas. Mesma disponibilidade. Mesma expectativa de produtividade.

Esse modelo foi construído historicamente em torno de determinadas concepções sobre o trabalhador e sobre o funcionamento do corpo humano.

Mas os corpos não são máquinas lineares.

Pesquisa · Países Baixos · 2019

O impacto que nem sempre aparece nas faltas

Em 2019, um estudo realizado nos Países Baixos com mais de 32 mil mulheres investigou o impacto dos sintomas menstruais sobre o trabalho e os estudos. Os pesquisadores estimaram uma perda média de produtividade equivalente a quase nove dias por ano.

32 mil+ mulheres participantes
≈ 9 dias perda média estimada

Um dos dados mais interessantes estava justamente naquilo que não aparecia nas faltas.

Grande parte do impacto estimado não vinha de mulheres que deixavam de trabalhar ou estudar. Vinha de mulheres que continuavam presentes, mesmo apresentando sintomas que afetavam seu desempenho.

Presenteísmo

Esse fenômeno é conhecido como presenteísmo.

A questão não é dizer que mulheres trabalham pior.

É perceber que um sistema baseado em expectativas lineares pode ignorar variáveis biológicas que afetam parte significativa da população.

E existe ainda uma dimensão cultural.

Quando falar sobre menstruação, dor, fadiga ou alterações relacionadas ao ciclo parece inadequado no ambiente profissional, muitas pessoas simplesmente não dizem nada.

Elas continuam trabalhando.
Continuam entregando.
Continuam se adaptando.

E resolvem individualmente aquilo que poderia ser compreendido também como uma questão de organização.

Imagine uma realidade diferente.

Uma mulher conhece seu próprio padrão. Sabe quando costuma dormir pior. Reconhece períodos em que sente mais dor. Percebe quando sua energia muda. Identifica quais estratégias funcionam para ela.

A partir dessas informações, pode decidir como organizar determinadas tarefas, momentos de descanso, atividade física ou compromissos, quando isso fizer sentido para sua realidade.

Não se trata de criar uma regra para todas as mulheres.

Trata se de ampliar a capacidade de cada pessoa de compreender o próprio corpo.

Flexibilidade não precisa ser uma concessão.

Pode ser simplesmente uma forma de adequar a estrutura à realidade de quem faz parte dela.

Referência científica

Schoep, M. E. et al. (2019). Productivity loss due to menstruation-related symptoms: a nationwide cross-sectional survey among 32 748 women .BMJ Open, 9, e026186.

Trabalho e corpos reais

Flexibilidade pode ser uma forma de organização.

Conhecer o próprio padrão amplia a capacidade de decidir como organizar a rotina dentro das possibilidades reais de cada pessoa.

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Conteúdo educativo. Este artigo não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento de profissionais de saúde.

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