O que é Neurociclicidade?
A palavra é nova, mas a pergunta por trás dela não é.
Por que produtividade, humor, sono e disposição parecem variar tanto ao longo do mês, mesmo quando a rotina permanece igual?
A palavra é nova, mas a pergunta por trás dela não é: por que produtividade, humor, sono e disposição parecem variar tanto ao longo do mês, mesmo quando a rotina permanece igual?
Neurociclicidade© é o nome que dei a esse fenômeno depois de estudá-lo de perto durante anos, primeiro na própria pele, depois de forma estruturada, através de três etapas de pesquisa.
Estudo piloto exploratório
A primeira foi um estudo piloto exploratório, conduzido com 15 mulheres, para observar se determinados padrões cíclicos se repetiam entre diferentes histórias.
Autoetnografia
A segunda foi uma autoetnografia construída a partir da minha própria trajetória, revisitando meu processo desde a primeira vez que menstruei: um método qualitativo reconhecido nas ciências sociais, no qual o pesquisador usa sua própria vivência como dado de análise, sempre com rigor reflexivo e crítico.
Formalização do framework
A terceira etapa foi a consolidação de tudo isso em um manuscrito, formalizando a Neurociclicidade como framework, atualmente em processo de submissão e revisão por pares.
Uma distinção central
Antes de seguir, vale marcar uma distinção que considero central: Neurociclicidade não é o mesmo que neuroendocrinologia. A neuroendocrinologia é o campo que estuda o mecanismo biológico em si, os hormônios, seus receptores, suas vias de ação no sistema nervoso. A Neurociclicidade parte de outro lugar: ela estuda a vivência qualitativa e experiencial de quem atravessa esse mecanismo. Não é sobre medir a molécula, é sobre entender como aquela variação hormonal é sentida, interpretada e vivida no cotidiano de uma mulher real.
Neuroendocrinologia
O mecanismo biológico em si, os hormônios, seus receptores e suas vias de ação no sistema nervoso.
Neurociclicidade
A vivência qualitativa e experiencial de quem atravessa esse mecanismo.
Essa diferença importa porque evita uma confusão comum. A Neurociclicidade não substitui nem compete com a ciência que investiga a biologia hormonal; ela se apoia nessa ciência como referência, mas seu objeto de estudo é outro: a experiência subjetiva do corpo cíclico, não o mecanismo que a produz.
Duas ideias que se encontram
O termo Neurociclicidade une, ainda assim, duas ideias centrais: a dimensão neurológica, reconhecendo que o cérebro e o sistema nervoso respondem às variações hormonais, e a dimensão cíclica, o fato de que essas variações não são aleatórias, mas seguem um padrão recorrente ao longo do ciclo menstrual e, por extensão, de outros ciclos biológicos do corpo.
O escopo do framework
É importante ser precisa aqui: Neurociclicidade não nasceu como uma teoria médica generalista, nem se propõe a substituir diagnósticos clínicos. Ela nasceu como um framework, ou seja, uma lente organizadora, construída a partir de um primeiro olhar exploratório sobre um grupo pequeno de mulheres, aprofundada através da observação sistemática e disciplinada da própria experiência, e formalizada em um manuscrito acadêmico ainda em avaliação. É uma base legítima, mas com um escopo específico: gera compreensão profunda de um fenômeno vivido, não uma generalização estatística já validada para toda a população.
O que a Neurociclicidade propõe
Dito isso, o que a Neurociclicidade propõe, na prática, é simples de enunciar e poderoso de aplicar: reconhecer que o corpo cíclico atravessa fases distintas, cada uma com um perfil neuroquímico próprio, e que alinhar expectativas, rotina e autocuidado a essas fases é uma forma de autoconhecimento, não uma limitação.
Não é sobre usar o ciclo como desculpa. É sobre parar de tratar cada dia do mês como se fosse idêntico ao anterior, quando o corpo já sabe que não é.
Nos próximos textos desta série, vou aprofundar a base científica por trás do conceito, explicar os limites e a força de cada etapa dessa pesquisa, e mostrar como cada fase do ciclo se traduz em um estado mental diferente. Também vou contar como esse framework, nascido de uma pesquisa pessoal, se tornou a espinha dorsal da plataforma Cyclical.
Se você quer entender por que reconhecer seus próprios ciclos pode mudar sua relação com produtividade, saúde e bem-estar, essa série é para você. 🌙
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