A ciência por trás: o que muda no cérebro e no corpo ao longo do ciclo
Para entender a experiência vivida, é preciso conhecer, ainda que de forma resumida, o que a ciência já sabe.
Um sistema de comunicação hormonal que acompanha as diferentes fases do ciclo menstrual.
No texto anterior, marquei uma distinção importante: a Neurociclicidade não é neuroendocrinologia. Ela não estuda o mecanismo biológico em si, estuda a vivência qualitativa de quem atravessa esse mecanismo. Mas para entender essa vivência, é preciso conhecer, ainda que de forma resumida, o que a ciência já sabe sobre o que acontece no cérebro e no corpo ao longo do ciclo menstrual.
O ciclo e a comunicação hormonal
O ciclo é regulado pelo eixo hipotálamo-hipófise-gônadas, um sistema de comunicação hormonal que orquestra a produção de estrogênio e progesterona ao longo de aproximadamente 28 dias, em quatro fases: menstrual, folicular, ovulatória e lútea. Essas duas hormonas não agem apenas no útero e nos ovários. Elas atravessam a barreira hematoencefálica e interagem diretamente com o sistema nervoso central, influenciando neurotransmissores, circuitos cerebrais e até a estrutura funcional de regiões específicas do cérebro.
Alguns achados da neurociência
Alguns achados da neurociência merecem destaque, sempre com a ressalva de que a força dessas evidências varia:
Reatividade emocional
Estudos de ressonância magnética funcional mostram maior reatividade da amígdala, região associada ao processamento emocional, durante a fase lútea, especialmente quando os níveis de progesterona estão elevados. Isso está associado a maior intensidade emocional e maior consolidação de memórias emocionais nesse período.
Processamento cognitivo
O estradiol parece favorecer a ativação do hipocampo na fase pré-ovulatória, enquanto a progesterona favorece a ativação de circuitos frontoestriatais na fase lútea, sugerindo que diferentes fases podem favorecer diferentes tipos de processamento cognitivo.
Função executiva
Pesquisas sobre função executiva indicam que, em mulheres com maior sensibilidade hormonal, sintomas como dificuldade de concentração e queda de produtividade percebida tendem a se concentrar na fase lútea tardia, o período imediatamente anterior à menstruação.
É importante fazer uma ressalva científica honesta: essa é uma área de pesquisa ainda em desenvolvimento. Boa parte dos estudos tem amostras pequenas, os resultados nem sempre se replicam, e a própria literatura reconhece que é difícil separar o que é efeito hormonal direto do que é resposta subjetiva a sintomas físicos e emocionais. Diferenças de desempenho cognitivo entre fases, quando existem, costumam ser pequenas.
Onde entra a Neurociclicidade
É exatamente aqui que a Neurociclicidade entra com sua contribuição específica. Onde a ciência descreve tendências estatísticas gerais e nem sempre consistentes, a experiência vivida de cada mulher é concreta e específica. A Neurociclicidade não depende de provar que toda mulher, em toda fase lútea, terá exatamente o mesmo padrão neurológico. Ela parte do princípio de que cada mulher pode aprender a reconhecer o próprio padrão, mesmo que ele não seja idêntico ao de um estudo de laboratório, e usar esse autoconhecimento a favor da própria rotina.
A ciência oferece o mapa geral do território.
A Neurociclicidade ensina a lê-lo no corpo de cada uma.
No próximo texto da série, vou explicar em profundidade o método da autoetnografia, incluindo seus limites metodológicos reconhecidos e por que, ainda assim, ele foi a escolha certa para este trabalho.
Seu ciclo já tem os dados. A Cyclical® tem a leitura.
Conheça uma plataforma construída para transformar observação, experiência e padrões cíclicos em autoconhecimento.
Conheça a Cyclical


